Ao destino ninguém foge: vai cumprir-se o ideal - um tempo novo paira...
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Ago 10
publicado por José Carlos Silva, às 21:05link do post | comentar

Viagem à toca de Passos Coelho

Viagem à toca de Passos Coelho

por RUI PEDRO ANTUNES

Só dorme cinco horas por dia, desliga o telemóvel nas folgas e nunca usou teleponto. Escreve os discursos mentalmente depois de ler os minuciosos relatórios que o extenso staff lhe prepara. Para descontrair, canta com os amigos ou vai ao cinema com a mulher. Conselheiros e amigos não têm dúvidas de que será o próximo primeiro-ministro. Só não sabem quando.

Ainda o ponteiro mais pequeno do relógio aponta para as sete, e já começou o dia de trabalho de Pedro Passos Coelho. O «picar o ponto» acontece assim que o Sr. Meireles, o motorista pessoal, estaciona à porta da sua casa, já munido da imprensa nacional. Antes da chegada à sede do PSD, na Rua de São Caetano à Lapa, o líder do maior partido da oposição disparou vários telefonemas para a sua entourage, muitas vezes motivados pelas manchetes dos jornais. Assim começa um dia normal na vida de Pedro Passos Coelho, que como o próprio confessa «só acaba à uma ou às duas da manhã».

Sem hábito de tomar o pequeno-almoço, um café rápido é o suficiente para despertar de uma média de sono que «tem rondado as cinco horas». Passos Coelho não lida bem com a falta de descanso e em alturas em que isso acontece muitas vezes – o que é cada vez mais frequente – o líder do PSD diz acabar por chegar ao fim da semana «escavacado».

O caminho de casa, em Odivelas, até à Lapa não costuma demorar muito. Assim que chega à sede do PSD – «normalmente, um quarto para as oito» –, Passos Coelho reúne sempre com o seu chefe de gabinete, o ex-secretário de Estado Feliciano Barreiras Duarte, que lhe dá conta da agenda do dia. Feliciano, Passos Coelho e o secretário-geral Miguel Relvas têm Blackberrys iguais, através do quais acedem a uma agenda concertada. Isto apesar de Relvas explicar que tem uma «agenda paralela à do líder».

A ligação entre Relvas e Passos Coelho já vem desde os tempos da Juventude Social Democrata, na altura em que ambos faziam parte da direcção da «Jota». Nos anos oitenta, Relvas era o secretário-geral da organização juvenil presidida por Pedro Passos Coelho. Agora, os papéis repetem-se, mas na «casa-mãe»: o PSD. O «braço-direito» do presidente do PSD, num gabinete não muito longe do do líder, opta por «trabalhar a ouvir música». Tem uma pequena aparelhagem que quando não está sintonizada na M80 dá som a CD de «música brasileira».

Feliciano Barreiras Duarte e o secretário-geral adjunto Matos Rosa dizem, em tom de brincadeira, que é um efeito colateral de Relvas, ser «cidadão honorário do Rio de Janeiro» – é mesmo, o título foi-lhe concedido em 2007.

Miguel Relvas, 49 anos, mantém o ritmo acelerado, está constantemente a receber e a fazer chamadas enquanto fala com a NS' (uma delas do «vice» do PSD, Marco António). Confessa que conversa com «muita gente do partido e até de outros partidos», mas com membros do governo «isso não acontece muitas vezes». Mais do que porta-voz ou secretário-geral do PSD, Miguel Relvas é também amigo e um dos principais conselheiros de Pedro Passos Coelho. Sem dúvida um dos «homens-fortes» deste novo PSD. Muitas das chamadas de Relvas são obviamente para o líder. Em dias de folga, quando o presidente do PSD desliga o telemóvel para aproveitar o tempo com a família, Relvas acaba por contornar a situação: se Passos não atende, liga para a mulher.

Adepto das novas tecnologias, Relvas elogia os dotes do seu iPad, embora seja no Blackberry que pela manhã recebe uma espécie de revista de imprensa no seu telemóvel, enviada pelo responsável da área, António Vale. Às 09h00 recebe a imprensa nacional e às 10h15 a internacional.

Com dias muito intensos, Miguel Relvas encontrou uma forma para desanuviar: «Vou todos os dias pelo menos uma hora ao ginásio.» Outra estratégia é almoçar fora da sede social-democrata, ainda que muitas das refeições sejam de trabalho.

Piano laranja com muitas teclas

Outra das peças fundamentais do staff de Passos Coelho é Feliciano Barreiras Duarte. O chefe de gabinete explica que a sua função é «tratar da agenda, dos convites, dos pedidos de audiência». Enfim, de tudo o que diga respeito ao dia-a-dia do líder. Feliciano tem também o papel de concertar toda a equipa, daí que todas as semanas presida a uma reunião «às segundas-feiras, às 11 da manhã», em que é «preparada ao milímetro a semana do presidente».

Contrariando a expressão «a oeste, nada de novo», Feliciano Barreiras Duarte, dias antes de assumir este novo desafio, lançou três livros sobre a sua região, com a qual continua a manter contacto, pois continua a ser presidente da Assembleia Municipal de Óbidos.

Normalmente, nas reuniões de estratégia estão presentes o assessor de imprensa, Rui Baptista; o assessor para os assuntos económicos Rudolfo Rebêlo; o advogado Carlos Sá Carneiro, que trabalha com o grupo parlamentar; Marta Sousa, responsável pelo marketing; António Vale, que analisa a imprensa; João Montenegro, «o homem do terreno» e ainda os secretários-gerais adjuntos: Matos Rosa, Bruno Vitorino e Luís Vales.

Feliciano faz ainda a «ponte» entre o líder e os vários grupos do partido como o gabinete de estudos, o grupo de revisão do programa, o grupo parlamentar, os TSD ou a JSD. «São tantas as teclas, que todas as noites vou para casa a pensar como hei-de tocar este grande piano laranja», explica Barreiras Duarte.
É também o chefe de gabinete que trata da correspondência do líder, em que há de tudo: «Desde pessoas a pedir ajuda financeira, outras a fazerem elogios e outras a criticarem: recebemos algumas cartas de pessoas a dizerem que o presidente fez mal em dar a mão ao governo no PEC.» Daí que Barreiras Duarte considere que as cartas enviadas ao líder são «um bom barómetro do estado do país».

Feliciano Barreiras Duarte confessa ainda que tem um «canal aberto» com o chefe de gabinete do primeiro-ministro, Guilherme Drey, por proposta deste. Ou seja: ambos têm o número de telemóvel directo um do outro para qualquer eventualidade. Porém, apesar de o clima ser agora de «guerra fria» entre os outrora «parceiros de tango», José Sócrates e Pedro Passos Coelho não têm um red phone como o que ligava o Kremlin à Casa Branca. Quando se chega à letra «J» no Blackberry de Passos Coelho não está o nome José Sócrates. Nem no S. «Não tenho o número do engenheiro Sócrates. Quando quero falar com ele, seguimos a via institucional. Peço para me ligarem à secretária», diz Passos Coelho.

«Teleponto? Há aqui um, mas nunca o experimentei»
Ainda que tenha montado uma estrutura similar à que levou José Sócrates ao poder, há diferenças entre o líder do PSD e o secretário-geral do PS. O primeiro-ministro José Sócrates já utilizou teleponto nos seus discursos e, na maioria das vezes, tem todo o discurso escrito a computador em folhas A4.
Pedro Passos Coelho garante que ninguém lhe escreve os discursos. Nem ele próprio. O que vai dizer em intervenções públicas memoriza. «Falo sempre de improviso», garante. No entanto, tem uma pequena cábula, que faz questão de mostrar à NS': pequenos pedaços de cartolina, ligeiramente mais pequenos do que os utilizados nos programas televisivos, em que se destacam tópicos orientadores do discurso, manuscritos em letras grandes. Quanto ao teleponto, Passos Coelho garante: «Há aqui um [na sede do PSD], mas nunca o experimentei.» No entanto, não guarda qualquer género de preconceito sobre este meio tecnológico e admite «um dia poder vir a utilizar».

Igualmente adepto das tecnologias, Passos Coelho anda sempre com o portátil atrás e garante que tem por hábito responder a quase todos os e-mails. Nas reuniões do partido, utiliza um bloco igual ao de Miguel Relvas, que o secretário-geral mandou fazer propositadamente para estas ocasiões, com espaços em branco para pôr um pequeno resumo das mesmas, data, nome e os participantes desses encontros.

Há as semanas «normais» e há outras... como a das Scut
E se as manhãs de Passos Coelho são idênticas (começam, normalmente, com a «boleia» do Sr. Meireles e a leitura dos jornais), o mesmo não se pode dizer do resto do dia. «Não há padrão», explica o líder do PSD. O normal é ficar na sede. Quando isso acontece, o presidente social-democrata recebe vários sectores da sociedade (associações, sindicatos, empresas, etc.) e dedica o resto do tempo a «preparar a acção política».

Também há dias em que Pedro Passos Coelho se desdobra em conferências e intervenções políticas de norte a sul do país. É importante passar a mensagem, bem como «ir às festas do partido, para o contacto com as bases». E é preciso não esquecer que ele é um líder recente, e numa espécie de permanente pré-campanha eleitoral.

Na semana em que falou com a NS', Passos Coelho preparava uma conferência para o dia seguinte em Bilbau, como aliás denunciou um telefonema em castelhano de uma das secretárias (Céu Soveral) a confirmar as reservas do líder no país vizinho. Além de Céu, Passos Coelho conta ainda com o apoio de outras duas secretárias: «Mica» e Isabel Cacela. À semelhança da política externa do governo, as relações exteriores de Passos Coelho também encaixam bem na repetição «Espanha, Espanha, Espanha». José María Aznar e Mariano Rajoy que o digam. Nas deslocações há uma figura importante: João Montenegro. O «homem do terreno», como lhe chama Feliciano Barreiras Duarte, certifica-se de que está tudo em ordem antes de o presidente do PSD intervir em determinado local público.

Mas não são só as saídas que provocam as «semanas intensas». Como diz Feliciano Barreiras Duarte, «quando o calor da política se sente no Parlamento as campainhas tocam aqui e corre-se para reuniões de última hora». Foi isso que aconteceu nos últimos tempos com «dossiers quentes» como o das Scut e, num outro plano, a revisão constitucional. Feliciano Barreiras Duarte considera mesmo que «a efervescência do dossier Scut levou a uma muito maior pressão do que a revisão constitucional, uma vez que foi preciso ver vários estudos de impacte económico e fazer várias reuniões».

Passos Coelho atribui uma menor tranquilidade no caso das Scut devido «à grande atrapalhação que o governo criou». Tal não significa que o debate em torno do anteprojecto de revisão constitucional tenha sido fácil. No dia do Conselho Nacional, os secretários-gerais adjuntos, Matos Rosa e Bruno Vitorino, contam que só chegaram a casa às seis da manhã. E António Vale, responsável pela análise da informação, viu escrupulosamente tudo o que saiu nos jornais sobre a revisão constitucional. Ainda hoje, Passos Coelho tem a Constituição da República Portuguesa sob a secretária no seu gabinete na sede do PSD.

Relatórios nada minoritários

Apesar do hábito de falar de improviso e de ter boa memória, Pedro Passos Coelho não dispensa relatórios detalhados sobre um assunto cada vez que tem um encontro ou uma intervenção política. Esse é um dos pontos em que o staff se torna imprescindível. «O presidente não quer só informação de âmbito político, exige também muitos dados técnicos», garante Feliciano Barreiras Duarte.

O chefe de gabinete dá um exemplo: «Quando há um encontro com um embaixador, compomos um relatório detalhado sobre o país desse embaixador, as relações com Portugal, as questões mais sensíveis que marcam a actualidade desse país e muitas outras informações.»

No seu gabinete, Pedro Passos Coelho faz questão de mostrar à NS' um destes relatórios que seria utilizado para a conferência do dia seguinte em Bilbau. Como o próprio explica, o documento «contêm informações sobre o país, a região, as questões que marcam a agenda mediática de Portugal e Espanha e ainda uma sinopse com as minhas últimas intervenções». Apesar de não revelar completamente o conteúdo, certamente que as últimas declarações sobre o uso da golden share do Estado na PT constam do relatório.

Do «ministro das Finanças» ao «primo do busto»

No «centro das operações», como Relvas e Feliciano chamam ao primeiro piso da São Caetano à Lapa, a estrutura está montada de uma forma muito profissional, fazendo lembrar o imaginário das campanhas norte-americanas. Passos Coelho opta pelo anglicismo staff para definir a sua equipa.

Desde as secretárias até ao adjunto que prepara meticulosamente resenhas de imprensa, tudo é preparado ao milímetro. Para assessores, sem surpresas, o novo líder do PSD convidou ex-jornalistas. Rui Baptista e Rudolfo Rebêlo trabalham lado a lado. O primeiro é responsável por um contacto com a imprensa, o segundo lida com assuntos económico-financeiros, preparando os tais relatórios minuciosos que o líder não dispensa.

Depois de um percurso profissional em que trabalhou em órgãos de comunicação como o jornal Público, a RTP e a agência Lusa, «custou muito» a Rui Baptista entregar a carteira profissional. O ex-jornalista tem a percepção de que escolheu um caminho «sem retorno», lembrando ainda que – apesar de continuar a lidar com informação e pessoas – a assessoria e o jornalismo «são trabalhos muito diferentes».

Explica que a sua função é muitas vezes ser os «olhos» e os «ouvidos» do presidente do PSD, além, claro, de falar com os jornalistas. São várias as conversas que tem com Pedro Passos Coelho sobre o que passa na imprensa, nunca deixando de dar a sua opinião, mesmo que não seja a que o líder mais deseja ouvir.

Já Rudolfo Rebêlo, que era jornalista da secção de economia do Diário de Notícias e deixou uma carreira no jornalismo de mais de vinte anos, explica que lida diariamente com o líder, passando-lhe informações sobre a Bolsa e mantendo-o informado sobre os mercados financeiros ao longo do dia. Considera que o presidente, «sendo economista, tem uma grande sensibilidade para estes assuntos e exige muita informação técnica». Um dos exemplos em que foi actualizando o líder ao longo do dia foi nos exames de stress a que foram sujeitos os bancos europeus em meados de Julho.

Por vezes, a informação conta ainda com outro reforço. Apesar de passar bastante tempo a acompanhar o grupo parlamentar, «sempre que pode» o histórico assessor de imprensa do PSD, Zeca Mendonça, também dá apoio à direcção «laranja».
Numa equipa que não segue as quotas de paridade (exigidas, por exemplo, em listas eleitorais), o marketing é gerido por uma mulher: Marta Sousa. Tudo o que esteja relacionado com a imagem do líder passa por Marta.

Passos Coelho conseguiu também regenerar o gosto da família Sá Carneiro pela política, convencendo o advogado Carlos, primo do histórico presidente do PSD, a mudar-se para Lisboa para ser seu adjunto. Carlos Sá Carneiro aceitou o desafio e trocou a casa de família em Braga por um hotel em Lisboa. Acredita que trabalha para aquele que será o terceiro grande líder do PSD após Francisco Sá Carneiro e Aníbal Cavaco Silva. Quanto à sua função, é responsável por fazer a «ponte» entre a direcção e o grupo parlamentar. Na São Caetano à Lapa puseram-lhe a alcunha de «primo do busto», numa referência à estátua do fundador do PSD que está no primeiro piso, mesmo ao lado do quadro mais recente da sede: o de Manuela Ferreira Leite.

Sá Carneiro não é, porém, o único a ter alcunhas no edifício. O secretário-geral adjunto Matos Rosa, por exemplo, é chamado «ministro das Finanças». Como o próprio explica, não há nenhuma despesa do partido que não passe por ele. «É sempre precisa a minha assinatura.»

Desde o pagamento de viagens de avião, estadas em hotéis até ao atestar de depósitos dos automóveis, tudo necessita da rubrica de Matos Rosa. A sua acção como tesoureiro do partido tem sido transversal a vários presidentes do PSD desde 2002. Foi «ministro das finanças» do partido nos mandatos de Durão Barroso, Marques Mendes e Ferreira Leite. Nos últimos anos, só não esteve neste cargo com Menezes. A contenção de despesas e o rigor orçamental – que Passos Coelho defende no Estado – também são aplicados no partido: «Em tudo o que podemos poupar poupamos. Não há desperdício.»

Outro dos secretários-gerais adjuntos, Bruno Vitorino, é responsável pelo apoio à estrutura e também já tinha desempenhado funções similares com outras lideranças. Tal como Pedro Passos Coelho, Bruno Vitorino foi excluído das listas de deputados nas últimas legislativas por Manuela Ferreira Leite, mesmo contra a vontade da Distrital de Setúbal do PSD, da qual Bruno era presidente. Destaca que com Pedro Passos Coelho há um ritmo diferente. «Nunca vi nenhum presidente que falasse com tanta gente, fizesse tanta coisa, tantas audições e tantas reuniões como ele.»

Curioso é o trabalho de António Vale, que faz relatórios sobre tudo o que sai na comunicação social e tenta, inclusive, «perceber as tendências dos jornais». Recebe tudo sobre o PSD através de um serviço exterior de clipping e ainda está atento aos sites informativos, aos blogues («há uma equipa que monitoriza a blogosfera») e às redes sociais. Sobre a sua mesa jazem vários documentos sublinhados a marcador sobre artigos que abordam o PSD. Provavelmente, também este texto da NS' irá parar à mesa de António Vale para ser devidamente escrutinado.

Canta para descontrair

Com dias cada vez mais intensos, os tempos de descontracção de Pedro Passos Coelho vão escasseando. Estar com a família é a actividade preferida do presidente do PSD para desanuviar do trabalho. «Gosto de ter os meus momentos onde a política não entra e nas semanas mais aliviadas tento jantar pelo menos duas ou três vezes com a família», conta Passos Coelho. «Uma vez por outra», consegue ir ao cinema com a mulher e adora ler e ouvir música.
Outra das formas preferidas para descontrair é «juntar os amigos». Nesses encontros, Passos Coelho – que em tempos já fez um casting para um musical de La Féria – faz uso dos seus dotes vocais. Mas nada de karaokes. «Conversamos, cantamos, mas há sempre alguém que traz a viola», senão canta-se à capela.
Passos Coelho confessa que não partilha da estratégia de Relvas de almoçar fora para desanuviar e muitas vezes fica-se pelo bar da São Caetano à Lapa. Matos Rosa elogia a «canjinha» num sítio onde, garante, «se cozinha muito bem». Porém, no dia em que recebeu a NS', o líder do PSD almoçou sozinho pelas Amoreiras, aproveitando para «matar saudades do Mexicano». Mas não ficou foi muito tempo sem companhia, pois encontrou-se com o seu amigo e ex-patrão Ângelo Correia. Recorde-se que Passos Coelho, logo após assumir a liderança do PSD, pediu para abandonar o cargo de administrador da Fomentinvest, empresa cujo proprietário é o amigo Ângelo Correia e que funciona nas torres das Amoreiras.

A amizade é boa conselheira?

Além de amigo, o histórico do PSD Ângelo Correia é um dos grandes «conselheiros» de Pedro Passos Coelho. O ex-ministro de Francisco Pinto Balsemão conta à NS’ que conhece «o Pedro» desde «oitenta e pouco» e define-o como sendo um político «firme, determinado e inteligente» e, enquanto profissional, «rigoroso e sério». Confessa que conversa com o líder «sobre diversos assuntos, entre os quais política, o estado do país e do mundo» e revela que «em comparação com a Fomentinvest, ele [Passos Coelho] agora trabalha mais. Já nem tem fins-de-semana. Na empresa, de vez em quando ia até ao Brasil, Espanha e no máximo a quatro locais do país. Agora tem de andar de um lado para o outro de Vila Real de Santo António até Vila Pouca de Aguiar. Não tem tempo para descansar».

Como diz outro amigo, António Nogueira Leite, «Pedro Passos Coelho tem, felizmente, muitos conselheiros». Só na área económica o ex-ministro Mira Amaral, Carlos Moedas, do gabinete de estudos, e o deputado Miguel Frasquilho são alguns dos homens com quem Passos Coelho se aconselha. E se Matos Rosa é o «ministro das finanças» da sede do PSD, no exterior a maioria dos analistas dão o título a António Nogueira Leite. O ex-secretário de Estado do Tesouro explica à NS’ que essa designação «tem que ver com o facto de ser um conselheiro que é ouvido sobre a área económica».

No entanto, tal não faz que Nogueira Leite fale todos os dias com Passos Coelho. «Não ando à volta dele. Não sou puxa-saco nem gosto de puxa-sacos que rodeiam um líder, este mês só falámos duas vezes ao telefone.» Porém, assume que quando se debateu o Programa de Estabilidade e Crescimento estavam «juntos todos os dias», o que é «normal» em alturas que os assuntos económico-financeiros estão em efervescência.

O regresso ao governo é algo que não atrai este «ministro das finanças-sombra» que é também um dos vice-presidentes deste novo PSD. Ao contrário de vários outros elementos do «núcleo duro» de Passos Coelho, Nogueira Leite considera que existiram «falhas» nestes primeiros meses de presidência do PSD. «A nível da organização e da comunicação houve erros. Por exemplo, na questão da revisão constitucional saíram várias coisas cá para fora que permitiram à oposição ter uma posição privilegiada», lamenta Nogueira Leite.

O gestor Pedro Marques Lopes, amigo de Pedro Passos Coelho que o acompanhou quando este anunciou pela primeira vez que era candidato à liderança do PSD, considera que o presidente do partido é um «bom ouvinte», mas «não é influenciável pelos conselheiros: sabe muito bem para onde quer ir». Como características de Passos Coelho, Marques Lopes destaca a «frontalidade» e a «coragem» na defesa de posições que têm custos eleitorais, como é exemplo a revisão constitucional. Marques Lopes acredita que as principais conquistas de Passos Coelho nestes primeiros meses foram o facto de o líder conseguir unir o partido e marcar uma clara diferença entre o PS e o PSD. «Já ninguém pode dizer que são iguais.» É por isso que defende que o presidente do PSD está no caminho certo para chegar a chefe de governo.

Mais longe vai Ângelo Correia que se apropria de um presságio de Durão Barroso – proferido dois anos antes de este chegar ao governo – e preconiza: «Pedro Passos Coelho vai ser primeiro-ministro, só não sei é quando.» No fundo, é para isso que toda esta equipa assume estar a trabalhar. Um esforço comum para que um dia o Sr. Meireles conduza Pedro Passos Coelho não para a São Caetano, mas para São Bento.

Hábitos e rotinas de Passos Coelho
? Dorme cinco horas por dia.
? Começa o dia com a leitura da imprensa.
? Escreve os discursos mentalmente.
? Descontrai em encontros com os amigos, em que canta.
ù Nunca usou teleponto.
ù Não tem o número de José Sócrates gravado no telemóvel.
ù Anda sempre com o portátil atrás.
ù Tem um bloco A4 igual ao de Relvas que utiliza nas reuniões partidárias.

‘The office’

O gabinete onde Passos Coelho trabalha na sede do PSD destaca-se pela luminosidade que entra pelas amplas janelas. Ainda assim, é um espaço desapaixonado, com linhas muito funcionais, que fazem uma simbiose perfeita com uma grande tela fixada na parede. O quadro é também ele muito frio, fazendo lembrar as obras de Piet Mondrian, ainda que com traços menos rígidos. Sob a secretária, apenas se destaca a Constituição e um conjunto de papéis organizados em pequenas pilhas. Ao contrário de Miguel Relvas, que tem uma moldura sobre a mesa de trabalho, na secretária de Passos Coelho não se vislumbram objectos pessoais.

Miguel Relvas
Secretário-geral e porta-voz do PSD

Tornou-se deputado em 1985, entrando na chamada «quota da Jota». Foi deputado até 2009, com excepção dos anos em que exerceu o cargo de secretário de Estado da Administração Local (2002-1004). Hoje ainda seria deputado se Ferreira Leite não o tivesse arredado como cabeça-de-lista pelo PSD/Santarém, distrital que liderou vários anos. A exclusão das listas terá estado relacionada com o facto de Relvas ter sido o estratego da campanha de Passos Coelho, quando este concorreu à liderança do PSD contra Santana Lopes e... Ferreira Leite. Miguel Relvas voltou a assumir o papel nas directas de Abril. Mas, desta vez, ganhou.

Feliciano Barreiras Duarte
Chefe de gabinete

Já foi deputado à Assembleia da República, mas quando optou por ser chefe de gabinete de Pedro Passos Coelho dedicava-se à sua carreira como professor universitário, da qual não abdicou. No Parlamento, sempre lutou pelas causas da sua região (o Oeste), chegando, em 2007, a defender o Aeroporto da Ota contra a vontade da liderança do PSD. Além disso, foi também presidente do Movimento Cívico contra as Portagens do Oeste, entre 1996 e 1998. A ligação à região continua, sendo actualmente presidente da Assembleia Municipal de Óbidos.

Bruno Vitorino
Secretário-geral adjunto

Apoiante de Pedro Passos Coelho desde a primeira hora, Bruno Vitorino foi dos líderes distritais que não hesitaram em defender o actual líder ainda durante a presidência de Manuela Ferreira Leite. Foi isso que lhe custou um lugar nas listas à Assembleia da República, tendo sido substituído por Luís Filipe Rodrigues, por decisão da direcção. Até Outubro de 2009, desempenhou as funções de vereador da Câmara Municipal do Barreiro e até Janeiro de 2010 de presidente do PSD/Setúbal.

Matos Rosa
Tesoureiro do partido e secretário-geral adjunto

O alentejano Matos Rosa não tem tempo para descansar. É obrigado a dividir o tempo entre o Parlamento e a sede do PSD para tratar das contas do partido. Desde 2002 que ocupa este cargo e só durante o mandato de Luís Filipe Menezes é que não controlou as finanças do PSD, daí que o convite para a continuidade tenha sido natural. É dos poucos que transitaram da equipa de Ferreira Leite. Além de deputado, é uma figura do PSD de Portalegre, distrital da qual já foi presidente, tanto no PSD como na JSD.

Rui Baptista
Assessor de imprensa

Antes de integrar a equipa fundadora do Público, Rui Baptista já havia passado pela Rádio Renascença e pelo jornal desportivo Record. Foi também professor, dando aulas de Jornalismo no ensino secundário entre 1988 e 1993. Antes de integrar a equipa de Pedro Passos Coelho, Rui Baptista era colaborador permanente da RTP e da RTP N. Foi no canal de notícias da estação pública que apresentou o programa Liga dos Últimos. Agora, está na primeira divisão da política a trabalhar para que o PSD vença o campeonato eleitoral.

Rudolfo Rebêlo
Adjunto para os assuntos económicos

Com uma carreira de mais de vinte anos de jornalismo, Rudolfo Rebêlo foi alternando na escrita, escrevendo em determinados momentos sobre macroeconomia e, noutros, sobre microeconomia, área que abordava mais vezes quando saiu do DN em Abril. A sua carreira no jornalismo esteve sempre ligada à economia, tendo sido um dos co-fundadores da revista Exame. Domina os mercados financeiros, sobre os quais chegou a acompanhar informações na Bolsa de Valores de Lisboa. A experiência nesta área é essencial para os meticulosos relatórios pedidos por Pedro Passos Coelho.

Marta Sousa
Responsável pela imagem e marketing

Antes de integrar o staff de Pedro Passos Coelho, Marta Sousa trabalhava na área da organização de eventos. Agora, tenta assegurar-se de que nada falha na imagem do líder, zelando também pelo marketing do partido. A sua ligação com o presidente do PSD já é anterior à eleição: no final de 2009, quando Pedro Passos Coelho recebeu o prémio de vencedor do concurso Sexy 20 Platina, atribuído pelo diário Correio da Manhã, foi Marta Sousa quem o representou na cerimónia de entrega.

Carlos Sá Carneiro
Adjunto que trabalha com o grupo parlamentar

Carlos Sá Carneiro trocou o escritório de advogados em Braga pelo novo desafio na sede do PSD, na Rua São Caetano à Lapa, em Lisboa. O primo do histórico líder do partido é adjunto de Passos Coelho, sendo responsável pela ligação com o grupo parlamentar. O novo ofício obrigou-o também a mudar-se para Lisboa em Maio, altura em que trocou a casa de família em Braga por um hotel na capital. A sua presença na equipa significa o regresso da família Sá Carneiro à política

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