
Ganhar os jovens, vencer.
No pós-25 de abril eram as vozes dos avós que ditaram a liberdade. A consolidação da democracia fez-se com a voz avisada dos pais. E o país caminhou, rumou para a Europa, abriu-se ao Mundo. Depois veio a geração da efemeridade, da ilusão: a abastança dos Fundos Estruturais, vindos da Europa deu lugar ao novo-riquismo, permitindo o surgimento de uma nova geração muito mais letrada. Dela surge a atual geração: mais completa, mais liberta, composta de jovens licenciados, de mestres e doutores, que sabem o que querem e que sabem para onde querem ir. A educação estendeu-se a todos os estratos sociais e a sociedade tornou-se, aparentemente, muito homogénea na sua diversidade.
Os jovens passam a comandar a sociedade. Bem preparados, com opinião própria, empreendedores, procuram mudar na adversidade e comandam ao pormenor os acontecimentos do quotidiano, ao pormenor. São eles o motor da mudança, a única razão que pode levar o país a crescer. São eles que podem fazer a mudança política. Está nas mãos deles mudar o atual rumo. E está nas mãos dos partidos políticos aproveitarem este saber aplicado à política. São eles que, atualmente, educam e motivam os pais e os avós para a política. Cabe aos partidos políticos aproveitarem esta força motivadora, projetando a mudança. Pois, hoje não é o jovem que pergunta ao mais velho qual é o partido que deve governar, aquele em quem deve votar?! Hoje é o inverso: o mais velho é que pergunta ao mais novo em quem há de votar, que caminho deve seguir, em quem deve acreditar. É, pois, nos jovens que está a diferença, que está a vitória.
José Carlos Silva, In Diário, 18 julho 2016